Osteomielite

O que é Osteomelite?

A osteomielite é uma infecção óssea e pode dividir-se em dois tipos básicos a osteomielite aguda e a crônica.

Os sintomas da osteomielite aguda são febre, calor no local, inflamação, aumento de volume e dor muito importante.

Geralmente a osteomielite aguda é hematogênica e é uma emergência, atendida por ortopedista e infectologista e cujo tratamento é a drenagem, limpeza e uso adequado de antibióticos.

Aqui, vamos nos ater às osteomielites crônicas que são de difícil tratamento e que, algumas vezes, leva o próprio paciente a solicitar uma amputação e colocação de uma prótese para a solução definitiva do problema.

Em algumas situações, a doença atinge vários ossos sendo chamada de osteomielite multifocal, podendo, inclusive, levar à uma osteomielite vertebral que requer tratamento cirúrgico devido à dor.

Os aspectos psicológicos são muito importantes porque, devido à existência de fistulas pelas quais drena pús com odor fétido, o paciente se vê privado do convívio social.

A maioria das osteomielites crônicas são pós traumáticas, ou seja, após uma fratura exposta ou fechada o paciente é submetido ao tratamento cirúrgico com placas, parafusos, hastes intramedulares, etc e daí advém a infecção.

Importante que os pacientes saibam que não se trata de rejeição do material e sim infecção.

O aumento do número de fraturas decorrentes de acidentes automobilísticos aumenta o uso de implantes ortopédicos. Como são traumas de alta energia a lesão de partes moles é muito grande, com a formação de grandes hematomas e tecido necrosado que aumenta o risco do quadro infeccioso.

Segundo Ana Lúcia L. Munhoz Lima, chefe do Serviço de infecção do Hospital de Clínicas de São Paulo, a infecção do sítio cirúrgico é uma complicação pós operatória das mais importantes e o segundo tipo de infecção mais comumente associada aos serviços de saúde.

Porque a osteomielite crônica é uma patologia de extrema dificuldade no seu tratamento?

Em determinada fase da evolução da doença, a bactéria esconde-se em uma “ilha” dentro do osso completamente sem circulação chamada de sequestro ósseo. Como a circulação não chega ao sequestro, as bactéria, ali alojadas estão completamente protegidas e o antibiótico é completamente inútil.

Por alguns períodos, as vezes longos, a osteomielite crônica mantem-se quieta, porem com a baixa das defesas do paciente por alguma outra doença, volta a manifestar-se com fistulas e, na linguagem leiga, “vem a furo”.

Tratamento para a osteomielite

Historicamente, a busca da cura para osteomielite sempre foi a limpeza do foco, remoção do material de síntese se houver, remoção do sequestro e o uso de antibióticos.

Muitas vezes, após a retirada do material de síntese e todo tecido necrosado a ferida fica aberta para cicatrização e os cuidados de enfermagem com curativos diários são de grande importância para atingir a cura do processo.

Na linguagem leiga é feita uma “raspagem do osso”.

Em alguns casos até pode funcionar bem. O problema é que quando temos uma área grande de comprometimento ósseo, corremos o risco de retirar osso em demasia e haver uma fratura por insuficiência mecânica.

Antes da chegada dos fixadores externos dinâmicos ao Brasil em 1986*, não tínhamos alternativas para grandes ressecções ósseas.

Hoje podemos dizer que a osteomielite tem cura.

Como dispomos de bons fixadores externos, podemos ressecar 10 a 15 cm ou mais e fazer o que chamamos de transporte ósseo, conforme ilustração a seguir.

Ë importante levar em conta que, no tratamento da osteomielite, a fisioterapia desempenha um papel muito importante visando uma recuperação plena.

* Em 1986 o Dr. Renato Slomka trouxe da Italia o primeiro fixador de Ilizarov e no ano seguinte foi realizada em Porto Alegre a primeira cirurgia do Brasil

Tipos de fixadores externos

Dispomos, basicamente temos 2 tipos de fixadores para o tratamento:

  • Fixadores externos circulares
  • Fixadores externos monolaterais, mais indicados para o fêmur

Fixador externoApós a ressecção de todo osso comprometido, produzimos uma grande falha óssea. Fazemos, então, uma osteotomia (corte no osso) e promovemos a movimentação de uma fragmento ósseo que irá preencher a falha óssea. O osso novo, regenerado, forma-se da mesma maneira que nos alongamentos ósseos. Este processo chamamos de reconstrução óssea.

Caso clínico típico é o de um jovem que teve fratura exposta da tíbia e, após duas cirurgias com colocação de haste intramedular, teve osteomielite com presença de fístula ativa e desvio da tibia.

Foi realizada a ressecção de 10 cm. De tíbia e fíbula e realizado o transporte ósseo.

O Que Dizem Nossos Pacientes

“Quando conheci o Dr. Slomka logo pensei passar por mais "um" médico, mas era o que a vida me oferecia depois de um osteossarcoma e com várias sequelas, sendo ela o encurtamento de mais ou menos 12 cm da perna esquerda.

Ciente da sua qualificação em fixadores, resolvi encarar,...”

maisRosane Silva dos Santos
24 de fevereiro de 2011

Porto Alegre Health Care